Romaria do Divino Senhor da Serra
(II)
De muitas das figuras que se destacam na história do Santuário do Divino Senhor da Serra está o nome de D. Manuel Correia de Bastos Pina (1830-1913). Foi consagrado bispo de Coimbra a 12 de Maio de 1872 e nomeado conde de Arganil em 25 de Setembro de 1472 pelo rei D. Afonso V. Foi durante o seu episcopado em 1898 que se construíram as primeiras hospedarias para abrigar os romeiros, ainda antes da romaria desse ano conclui-se as hospedarias, uma delas tinha capacidade para acomodar 200 pessoas, o responsável pelas hospedarias era António Augusto Gonçalves. Mas lá no cimo do monte, onde os céus e a terra quase se tocam, o prelado não se quedou por estes edifícios. Constando que o pequeno templo não servia para dar resposta a uma romaria tão concorrida como a que acontecia em Agosto de cada ano, pensou em fazer construir uma igreja condigna. A construção do templo que se processou em duas fases, iniciou-se em 1900, tendo sido adjudicada a construção da fachada e do corpo da igreja a no dia 1 de Novembro desse ano a Abel Simões Mizarela pela quantia de 3.990$900 réis. Quatro anos depois (Agosto de 1904), a nave e o campanário já se encontravam concluídos. O antigo templo setecentista permaneceu no meio da nave e só quando esta se finalizou é que o demoliram. Na zona do arco cruzeiro levantou-se, então, uma parede provisória destinada a cerrar a nave, de molde a que a estrutura pudesse funcionar como templo até à conclusão da abside, acompanhada pela sacristia e pela cada da administração.
Contudo a construção não parou. Em 1907, Gonçalves desloca-se ao Senhor da Serra, a fim de observar a obra que se andava a fazer, tratava-se da conclusão da capela mor e dos anexos. O autor do templo descreveu-o dizendo “ Não ouve nunca o propósito de construir uma capela que fosse escrava dum estilo. Teve-se apenas em vista uma construção agradável. Quem olhar para o esguio da torre supor-se-á em frente de um gótico flamejante, quem examinar os capitéis e cachorros julgar-se-á em frente duma construção românica. O forro do corpo da capela é dum certo sabor românico mas já o da capela mor, apainelado como é, parece do séc. XVII”.
Construiu-se a capela mas estava despida, nua e fria: sem mobiliário. Ornamentá-la e inserir-lhe retábulos tornava-se imperioso. Em Coimbra procedia-se na altura, à demolição da igreja da Misericórdia velha que se situava sobre o medievo templo de S. Tiago, ali na praça do comércio. Os dois retábulos laterais lá existentes deixaram de ter serventia então acabaram por ser comprados para o Senhor da Serra e adaptados ao local em 1908 por Joaquim de Abreu Couceiro. A sua talha insere-se no estilo joanino, a feitura das peças aponta para os inícios do séc. XVII. Um dos retábulos ficou povoado com o seu orago, o Cristo Redentor, mas para o outro João Machado esculpiu uma imagem da Senhora da Piedade.
Muito mais se pode dizer sobre este grande e famoso santuário, aqui está apresentada apenas uma parte da sua história.
Texto: Vasco Francisco - fontes: "Santuário do Divino Senhor da Serra de Semide" - João Paulo Fernandes , Regina Anacleto
Foto: Santuário do Senhor da Serra visto do meio do monte.
De muitas das figuras que se destacam na história do Santuário do Divino Senhor da Serra está o nome de D. Manuel Correia de Bastos Pina (1830-1913). Foi consagrado bispo de Coimbra a 12 de Maio de 1872 e nomeado conde de Arganil em 25 de Setembro de 1472 pelo rei D. Afonso V. Foi durante o seu episcopado em 1898 que se construíram as primeiras hospedarias para abrigar os romeiros, ainda antes da romaria desse ano conclui-se as hospedarias, uma delas tinha capacidade para acomodar 200 pessoas, o responsável pelas hospedarias era António Augusto Gonçalves. Mas lá no cimo do monte, onde os céus e a terra quase se tocam, o prelado não se quedou por estes edifícios. Constando que o pequeno templo não servia para dar resposta a uma romaria tão concorrida como a que acontecia em Agosto de cada ano, pensou em fazer construir uma igreja condigna. A construção do templo que se processou em duas fases, iniciou-se em 1900, tendo sido adjudicada a construção da fachada e do corpo da igreja a no dia 1 de Novembro desse ano a Abel Simões Mizarela pela quantia de 3.990$900 réis. Quatro anos depois (Agosto de 1904), a nave e o campanário já se encontravam concluídos. O antigo templo setecentista permaneceu no meio da nave e só quando esta se finalizou é que o demoliram. Na zona do arco cruzeiro levantou-se, então, uma parede provisória destinada a cerrar a nave, de molde a que a estrutura pudesse funcionar como templo até à conclusão da abside, acompanhada pela sacristia e pela cada da administração.
Contudo a construção não parou. Em 1907, Gonçalves desloca-se ao Senhor da Serra, a fim de observar a obra que se andava a fazer, tratava-se da conclusão da capela mor e dos anexos. O autor do templo descreveu-o dizendo “ Não ouve nunca o propósito de construir uma capela que fosse escrava dum estilo. Teve-se apenas em vista uma construção agradável. Quem olhar para o esguio da torre supor-se-á em frente de um gótico flamejante, quem examinar os capitéis e cachorros julgar-se-á em frente duma construção românica. O forro do corpo da capela é dum certo sabor românico mas já o da capela mor, apainelado como é, parece do séc. XVII”.
Construiu-se a capela mas estava despida, nua e fria: sem mobiliário. Ornamentá-la e inserir-lhe retábulos tornava-se imperioso. Em Coimbra procedia-se na altura, à demolição da igreja da Misericórdia velha que se situava sobre o medievo templo de S. Tiago, ali na praça do comércio. Os dois retábulos laterais lá existentes deixaram de ter serventia então acabaram por ser comprados para o Senhor da Serra e adaptados ao local em 1908 por Joaquim de Abreu Couceiro. A sua talha insere-se no estilo joanino, a feitura das peças aponta para os inícios do séc. XVII. Um dos retábulos ficou povoado com o seu orago, o Cristo Redentor, mas para o outro João Machado esculpiu uma imagem da Senhora da Piedade.
Muito mais se pode dizer sobre este grande e famoso santuário, aqui está apresentada apenas uma parte da sua história.
Texto: Vasco Francisco - fontes: "Santuário do Divino Senhor da Serra de Semide" - João Paulo Fernandes , Regina Anacleto
Foto: Santuário do Senhor da Serra visto do meio do monte.

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