Quarta feira da Festa
(sardinhada)
O Sol nasce a Este da
Lata e assim nasce também o último dia das festas em honra de Nossa Senhora da
Saúde. Nestes dias as ruas ainda estão enfeitadas da procissão do Domingo,
apenas são desfeitas no fim da festa. Os gaiteiros fazem a alvorada da manhã acompanhados
pelos mordomos que batem à porta de quem ainda não deu a esmola. Logo pela
manhã muitos dos aldeãos vão até Miranda, à feira semanal. Lá compram as hortaliças
e os legumes para a sardinhada da festa, outros nem lá vão, vão buscar ao seu
próprio quintal. A tarde chega e chega também
a hora da missa ou do terço, os versos de Fátima cantados pela “aparelhagem”
chamam até à capelinha. É então realizado este último ato de fé durante as
festas. No fim dá-se um momento que leva muitos aldeãos à capela, estou-me a
referir à entrega das flores do andor da padroeira e dos outros santos. Uma vez
que os andores têm de ser desmanchados para no fim da festa os santos voltarem
de novo aos altares, as flores são oferecidas às pessoas que as desejarem, que
fazem ramos para os altares domésticos ou mesmo para o cemitério.
No fim da missa ou
terço começam-se a acender os fogareiros, começa assim a sardinhada, um jantar
em convívio no largo da capela destinado a todos os aldeãos e convidados. Num
espirito de festa e alegria o povo troca nesta noite a cozinha pela rua. O
largo da capela e as ruas envolventes transformam-se num mar de gente que põe
as suas mesas pela rua. Ali jantam. O jantar é sempre sardinha, ora não fosse
uma sardinhada. Um jantar de Verão muito animado e único que ocorre apenas uma
vez por ano. No fim da sardinhada começa o último baile da festa, um baile onde
tudo dança e onde a animação é constante.
Nesta noite dão-se também os jogos tradicionais. Durante o baile a
pessoas divertem-se nestes jogos com muitos anos de existência, saltar à corda,
jogo da malha, corrida de sacos, jogo da corda, jogo do pião, jogo das
cântaras. Entre estes jogos, o que se destaca mais é o jogo das cântaras, é o
mais apreciado e participado. É um jogo de origem minhota que passo a explicar.
Estica-se uma corda no meio da rua, a cerca de 3 metros de altura. Junto da
corda suspendem-se várias cântaras de barro cheias com farinha, outras com
água, dentro das cântaras que estão espaçadas entre si, estão pastilhas ou
moedas. Os concorrentes de olhos vendados e com um pau na mão esperam o sinal
de inicio do jogo. Partem com o objetivo de quebrar as cântaras com o pau. Cada
concorrente pode partir apenas uma cântara.
A noite assim chega ao
fim, uma noite popular e tradicional. As luzes acesas pela última vez na festa
dão cor ao lugar que encerra assim as festas em honra de Nossa Senhora da
Saúde.
Texto: Vasco Francisco
Foto: Arco luminoso - 2012
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