A freguesia de Semide é toda ela uma freguesia de
imensas tradições e costumes. Para dignificar e promover os seus trajes,
costumes e tradições possui três ranchos folclóricos. Um deles é o Rancho
Etnográfico Flores das Cortes que vai festejar no próximo dia 1 de setembro o
seu XXXV (35) festival de folclore. A todos os membros deste grupo e seus
amigos, convido a aparecerem nesta grande festa do folclore. O folclore
português uma família de cores garridas, de gentes da terra e do mar, o
folclore é uma grande característica da alma de Portugal. Venha ao festival do
Rancho Etnográfico Flores das Cortes (Semide – Beira Litoral) e passe um Serão
bem popular da nossa terra.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Caros amigos terminou ontem a romaria ao Divino
Senhor da Serra, durante estes dias as publicações do grupo têm tido como tema
a promoção desta grande romaria. Muito mais haveria para dizer, pois a história
da romaria, do Santuário e do Senhor da Serra é muito grande. Hoje termino de
promover esta festa mas mais para a frente continuarei a falar dela. Termino
então com poesia popular.
Quadras populares ao Senhor da Serra.
Ao
Senhor da Serra vai
Gente
de quatro nações
Cavaleiros
e Fonsecas
Gonçalves
e Sacristões.
Ao
Senhor da Serra vai
Gente
de toda a nação
Ninguém
lá vai que não tenha
Penas
no seu coração.
Divino
Senhor da Serra
Seu
caminho pedras tem
Se
não fossem os milagres
Já
não vinha cá ninguém.
Divino
Senhor da Serra
Mandai
Agosto mais cedo
Quero
ver as moças bailar
No
areal do Mondego.
Senhor
da Serra acudi-me
Que
eu não sei donde estou
Ou
os ares abaixaram
Ou
a terra alevantou.
Quem
vai ao Senhor da Serra
E
não vai ao corredor
É
como quem vai ao céu
E
não vê nossa Senhor.
Divino
Senhor da Serra
Tens
um filho serrador
Para
serrar a madeira
Para
o altar do Senhor.
O
Senhor da Serra tem
Uma
cortina de seda
Por
causa do ar da neve
Que
vem da Serra da Estrela.
Fonte:
Sabedoria popular.
Foto:
Romeiros no Apeadeiro da Trémoa
Torre
do Senhor da Serra
-
Aqui a minha visão
É
tão livre com o vento,
Apetece
como o despertar!
E
depois nasce um encantamento
Que
só o azul e o verde podem dar.
A
nascente avisto a Estrela,
Irmã
mais alta do que eu;
Mestra
iniciada nas altitudes,
Deram-lhe
a neve para o véu.
O
que dá beleza ao longe
É
nem sempre poder vê-lo,
Porque
depois quando tudo fica claro,
Mais
o olhar se apura em desvelo!
Poema
de Eduardo Aroso – In “O OLHAR DA SERRA ” – Senhor da Serra 1995
Foto:
Santuário do Divino Senhor da Serra de Semide.
Romaria do Divino Senhor da Serra - III
A romaria do Divino Senhor da Serra é conhecida como a maior romaria da região centro de Portugal. A romaria atual é uma romaria muito diferente do que era em 1902. Como refere o periódico Resistência e outros, em 1902 a romaria era viva e pitoresca: “Anda a Cidade (Coimbra) desde o dia 15, cheia dos ranchos dos romeiros, que vão ou voltam do Senhor da Serra, cuja romaria anual acaba hoje. - A estrada da Beira anda animada daqueles grupos, que vão de merendas à cabeça, ou voltam com a imagem do Senhor, cuidadosamente metida na fita do chapéu. – Quando chegam à portela, se levam animais, atravessam o rio a vau, sem se importarem com os risos e os ditos, que lhes gritam de cima os que vão pela ponte, ao verem as mulheres levantarem cuidadosamente, e bem alto, as saias para não lhas molhar o rio. – Depois lá vai tudo até às vendas de Ceira, e daí ladeira acima, até ao alto do monte, donde se avista o telhado alegre da hospedaria da capela, e começa a sentir-se a caricia do vento fresco. – Parão a ouvir um sermão, depois outro. – Lino de Assunção descreve o efeito cómico dos sermões pregados ao mesmo tempo, em pleno ar e pleno Sol. – Ainda hoje a fama do púlpito é para quem mais berra. – o quadro não deixaria de ser singularíssimo, e digno de um pincel cáustico. – O céu límpido e azul, o Sol claro e abrasador, e a planura do cômoro apinhado de homens, suando dentro nos grosso jaquetões de briche, e de mulheres com saias de seriguilha pela cabeça deixando cair sobre as testas deprimidas as farripas de um cabelo empastado como linho antes de ser cardado. Aqui no púlpito do adro o pregador confundindo a sua voz com o eco de outra que lhe vem lá de dentro de junto do altar. Mais além outro, na beira de um carro, encostado a uma pipa, e a quem o festeiro abriga com um enorme chapéu vermelho, que mais vermelhas torna as bochechas luzidias do pregador. Debaixo de um toldo de barraca e sobre uma mesa, vê se outro gesticulando, alagado em água que lhe encharca a sobrepeliz e estola, procurando dominar com a voz as metáforas do vizinho, que sobre uma cadeira à sombra dos pinheiros conta dezenas de milagres acontecidos em favor dos devotos que mandam pregar sermões. E, acabado um sermão, retira-se o grupo que o encomendou e aproxima-se outro que o prometeu. E todas estas vozes já roucas procurando dominar o ruido confuso dos descantes, das guitarras, das algazarras dos beberrões, das alterações das rivalidades estimuladas pelo álcool e até das injurias e grosseiras das rixas travadas pela posse de uma mulher, ou pela liquidação de velhas contas que vieram abertas lá desde as aldeias. E o Sol de Agosto dardejando inclemente sobre os largos chapéus e tornando escuros os rostos luzidios e afogueados e ainda mais negros os beiços enegrecidos pelo vinho e pelo pó; e como comentário às palavras dos padres quase áfonos, que clamam pela justiça e misericórdia divinas, as vozes vibrantes das tricanas de Coimbra , menos devotas e mais alegres, bailando e cantando ao som das violas o Manuel Ceguinho ou o Oh ladrão! Ladrão! – Por fim entram na capela onde Cristo agoniza numa cruz de pedra, deixando cair a cabeça para mostrar os cabelo negro que cresce, como diz a lenda todos os anos. – Pelas paredes pregadas em ripas de madeira, vêem-se tranças de cabelo de todas as cores, votos que fazem os doentes, por saberem que é este o sacrifício que mais gosto dá ao Senhor da Serra”.
Texto: Vasco FranciscoPublicações periódicas: Despertar (O)Diário de CoimbraGazeta de CoimbraJornal de CoimbraNoticias de CoimbraResistênciaTribuno (O) Popular
Foto: Romeiros a caminho do Senhor da Serra
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Romaria do Divino Senhor da Serra
(II)
De muitas das figuras que se destacam na história do Santuário do Divino Senhor da Serra está o nome de D. Manuel Correia de Bastos Pina (1830-1913). Foi consagrado bispo de Coimbra a 12 de Maio de 1872 e nomeado conde de Arganil em 25 de Setembro de 1472 pelo rei D. Afonso V. Foi durante o seu episcopado em 1898 que se construíram as primeiras hospedarias para abrigar os romeiros, ainda antes da romaria desse ano conclui-se as hospedarias, uma delas tinha capacidade para acomodar 200 pessoas, o responsável pelas hospedarias era António Augusto Gonçalves. Mas lá no cimo do monte, onde os céus e a terra quase se tocam, o prelado não se quedou por estes edifícios. Constando que o pequeno templo não servia para dar resposta a uma romaria tão concorrida como a que acontecia em Agosto de cada ano, pensou em fazer construir uma igreja condigna. A construção do templo que se processou em duas fases, iniciou-se em 1900, tendo sido adjudicada a construção da fachada e do corpo da igreja a no dia 1 de Novembro desse ano a Abel Simões Mizarela pela quantia de 3.990$900 réis. Quatro anos depois (Agosto de 1904), a nave e o campanário já se encontravam concluídos. O antigo templo setecentista permaneceu no meio da nave e só quando esta se finalizou é que o demoliram. Na zona do arco cruzeiro levantou-se, então, uma parede provisória destinada a cerrar a nave, de molde a que a estrutura pudesse funcionar como templo até à conclusão da abside, acompanhada pela sacristia e pela cada da administração.
Contudo a construção não parou. Em 1907, Gonçalves desloca-se ao Senhor da Serra, a fim de observar a obra que se andava a fazer, tratava-se da conclusão da capela mor e dos anexos. O autor do templo descreveu-o dizendo “ Não ouve nunca o propósito de construir uma capela que fosse escrava dum estilo. Teve-se apenas em vista uma construção agradável. Quem olhar para o esguio da torre supor-se-á em frente de um gótico flamejante, quem examinar os capitéis e cachorros julgar-se-á em frente duma construção românica. O forro do corpo da capela é dum certo sabor românico mas já o da capela mor, apainelado como é, parece do séc. XVII”.
Construiu-se a capela mas estava despida, nua e fria: sem mobiliário. Ornamentá-la e inserir-lhe retábulos tornava-se imperioso. Em Coimbra procedia-se na altura, à demolição da igreja da Misericórdia velha que se situava sobre o medievo templo de S. Tiago, ali na praça do comércio. Os dois retábulos laterais lá existentes deixaram de ter serventia então acabaram por ser comprados para o Senhor da Serra e adaptados ao local em 1908 por Joaquim de Abreu Couceiro. A sua talha insere-se no estilo joanino, a feitura das peças aponta para os inícios do séc. XVII. Um dos retábulos ficou povoado com o seu orago, o Cristo Redentor, mas para o outro João Machado esculpiu uma imagem da Senhora da Piedade.
Muito mais se pode dizer sobre este grande e famoso santuário, aqui está apresentada apenas uma parte da sua história.
Texto: Vasco Francisco - fontes: "Santuário do Divino Senhor da Serra de Semide" - João Paulo Fernandes , Regina Anacleto
Foto: Santuário do Senhor da Serra visto do meio do monte.
De muitas das figuras que se destacam na história do Santuário do Divino Senhor da Serra está o nome de D. Manuel Correia de Bastos Pina (1830-1913). Foi consagrado bispo de Coimbra a 12 de Maio de 1872 e nomeado conde de Arganil em 25 de Setembro de 1472 pelo rei D. Afonso V. Foi durante o seu episcopado em 1898 que se construíram as primeiras hospedarias para abrigar os romeiros, ainda antes da romaria desse ano conclui-se as hospedarias, uma delas tinha capacidade para acomodar 200 pessoas, o responsável pelas hospedarias era António Augusto Gonçalves. Mas lá no cimo do monte, onde os céus e a terra quase se tocam, o prelado não se quedou por estes edifícios. Constando que o pequeno templo não servia para dar resposta a uma romaria tão concorrida como a que acontecia em Agosto de cada ano, pensou em fazer construir uma igreja condigna. A construção do templo que se processou em duas fases, iniciou-se em 1900, tendo sido adjudicada a construção da fachada e do corpo da igreja a no dia 1 de Novembro desse ano a Abel Simões Mizarela pela quantia de 3.990$900 réis. Quatro anos depois (Agosto de 1904), a nave e o campanário já se encontravam concluídos. O antigo templo setecentista permaneceu no meio da nave e só quando esta se finalizou é que o demoliram. Na zona do arco cruzeiro levantou-se, então, uma parede provisória destinada a cerrar a nave, de molde a que a estrutura pudesse funcionar como templo até à conclusão da abside, acompanhada pela sacristia e pela cada da administração.
Contudo a construção não parou. Em 1907, Gonçalves desloca-se ao Senhor da Serra, a fim de observar a obra que se andava a fazer, tratava-se da conclusão da capela mor e dos anexos. O autor do templo descreveu-o dizendo “ Não ouve nunca o propósito de construir uma capela que fosse escrava dum estilo. Teve-se apenas em vista uma construção agradável. Quem olhar para o esguio da torre supor-se-á em frente de um gótico flamejante, quem examinar os capitéis e cachorros julgar-se-á em frente duma construção românica. O forro do corpo da capela é dum certo sabor românico mas já o da capela mor, apainelado como é, parece do séc. XVII”.
Construiu-se a capela mas estava despida, nua e fria: sem mobiliário. Ornamentá-la e inserir-lhe retábulos tornava-se imperioso. Em Coimbra procedia-se na altura, à demolição da igreja da Misericórdia velha que se situava sobre o medievo templo de S. Tiago, ali na praça do comércio. Os dois retábulos laterais lá existentes deixaram de ter serventia então acabaram por ser comprados para o Senhor da Serra e adaptados ao local em 1908 por Joaquim de Abreu Couceiro. A sua talha insere-se no estilo joanino, a feitura das peças aponta para os inícios do séc. XVII. Um dos retábulos ficou povoado com o seu orago, o Cristo Redentor, mas para o outro João Machado esculpiu uma imagem da Senhora da Piedade.
Muito mais se pode dizer sobre este grande e famoso santuário, aqui está apresentada apenas uma parte da sua história.
Texto: Vasco Francisco - fontes: "Santuário do Divino Senhor da Serra de Semide" - João Paulo Fernandes , Regina Anacleto
Foto: Santuário do Senhor da Serra visto do meio do monte.
Senhor da Serra
Uma aldeia nasceu
Lá no alto daquela serra
Onde a terra e o céu se encontram
Uma aldeia nasceu
Lá no alto daquela serra
Onde a terra e o céu se encontram
Onde uma
cruz marcou
O inicio de uma terra.
Divino Senhor da Serra
Tens um altar de ouro
A teus pés santa Maria
Na rua a luz do dia
E um lindo miradouro.
Tua imagem é milagrosa
Muitos milagres faz
No corredor estão gravados
Tuas graças em belos quadros
Divino Senhor livre-nos das coisas más.
Linda é a romaria
Lindo é o santuário
Muitos são os peregrinos
A rezar ajoelhados
Junto do dourado sacrário.
Poema de Vasco Francisco
O inicio de uma terra.
Divino Senhor da Serra
Tens um altar de ouro
A teus pés santa Maria
Na rua a luz do dia
E um lindo miradouro.
Tua imagem é milagrosa
Muitos milagres faz
No corredor estão gravados
Tuas graças em belos quadros
Divino Senhor livre-nos das coisas más.
Linda é a romaria
Lindo é o santuário
Muitos são os peregrinos
A rezar ajoelhados
Junto do dourado sacrário.
Poema de Vasco Francisco
Romaria do Divino Senhor da Serra - I
Arrancou no passado dia 15 de Agosto a romaria do Divino Senhor da Serra que se realizará até o próximo dia 23 de Agosto.
Esta é uma das mais famosas romarias do centro do nosso país, um devoção que remonta do séc. XVII. O Santuário do Senhor da Serra foi até às aparições de Fátima um dos mais procurados no país. Passo agora a contar a história desta grande peregrinação.
Arrancou no passado dia 15 de Agosto a romaria do Divino Senhor da Serra que se realizará até o próximo dia 23 de Agosto.
Esta é uma das mais famosas romarias do centro do nosso país, um devoção que remonta do séc. XVII. O Santuário do Senhor da Serra foi até às aparições de Fátima um dos mais procurados no país. Passo agora a contar a história desta grande peregrinação.
A partir de
uma data indeterminada, mas que se pode situar em torno da primeira metade do
séc. XVII, em Ceira terra que se situa nas proximidades de Coimbra, o casal
Martim Avô e sua mulher Maria Guilhalme detinha a posse de um Cristo que passou
a ser salvo de grande devoção. Devido a conflitos desaguisados entre os muitos
que corriam a sua casa para venerar a imagem, os possuidores resolveram
desfazer-se dela e esconderam-na num local ermo. Na vizinhança da zona onde o
casal vivia localizava-se o convento de Semide, ocupado por monjas beneditinas
e um certo dia, quando os seus criados andavam a apanhar lenha, encontraram a
imagem e levaram-na para o cenóbio, a fim de ali ser cultuada. O local do
achamento parece que ficava dentro da área do mosteiro e as religiosas fizeram
aí erguer uma cruz que passou a ser conhecida pelo nome de “Cruz de longe”. A
comunidade, para que a cruz pudesse continuar a ser venerada pelos muitos que
persistiam em ocorrer ali, a fim de pedir a proteção do Senhor, acabou por
mandar construir um pequeno coberto abobadado no cimo do monte. O alpendre
posteriormente e no contexto de uma evolução habitual, deve ter visto fechados
três dos seus lados e virado a capela numa data que se situa entre 1553-1563,
mas ao longo dos tempos foi sofrendo modificações. Também se lhe iam apondo
casas destinadas a dar pousada aos, cada vez mais numerosos, romeiros que
acorriam ao santuário. O Santuário e as esmolas dos fiéis foram os fatores que
permitiram a sobrevivência das últimas religiosas do mosteiro que apesar disso
se viram obrigadas a vender todas as pratas ao Divino Senhor da Serra.
Texto: Vasco Francisco - fontes: "Santuário do Divino Senhor da Serra de Semide" - João Paulo Fernandes , Regina Anacleto
Foto: Romeiros do Senhor da Serra noutros tempos - coleção de Belisário Pimenta
Texto: Vasco Francisco - fontes: "Santuário do Divino Senhor da Serra de Semide" - João Paulo Fernandes , Regina Anacleto
Foto: Romeiros do Senhor da Serra noutros tempos - coleção de Belisário Pimenta
Boa tarde a todos os amigos e amigas deste grupo.
È com grande alegria que vos agradeço a vossa
participação no grupo “Lata, uma Aldeia de Tradições”. Um grupo que conta com
77 membros. A todos vós desejo desde já umas boas férias e bom trabalho para
quem está a trabalhar.
Todas as publicações feitas neste grupo são
publicações sobre a região de Semide, em geral sobre a aldeia da Lata. Por
vezes há publicações que são apresentadas com alguma quantidade de texto,
gostaria de vos pedir que não ligassem à quantidade mas sim ao interesse e ao
conteúdo apresentado, pode custar um pouco a ler para quem não gosta muito de o
fazer mas acho que vale a pena. Todas as publicações aqui apresentadas são
elaboradas e escritas por mim (Vasco Francisco), todas as publicações são legendadas
nas fotos e no texto para que não haja plágio. Peço desculpa se por vezes
aparece algum erro ortográfico ou alguma informação que não está bem. Neste
último caso gostava que me avisassem para que o erro possa ser emendado ou
esclarecido. A informação que publico é adquirida em documentos ou saberes e
investigações pessoais.
Deixo aqui um apelo a todos os que quiserem
participar na atividade do grupo, se tiverem fotografias ou documentos sobre a
Lata ou Semide convido-vos a enviá-las por mensagem no chat do grupo, por
email, lata.tradicao@gmail.pt,
ou mesmo a partilha-las na página do grupo, aceito as fotos com legenda do
local, ano e nome do fotógrafo.
Como aqui já foi referido e provado, a Lata tem
artistas. Nas publicações em que coloco trabalhos deles peço que me corrijam em
alguma informação imprópria ou mesmo alguma coisa que não lhes agrade.
Termino esta mensagem dizendo que pode ainda
assistir à atividade do grupo no blog aldeialata.blogshop.pt que conta já com
177 visualizações.
A Lata é uma aldeia de tradições, aldeia pequena mas
com muita beleza é a esta terra que tanto amo que dedico este trabalho e este
lema que o grupo ganhou.
“ Uma terra não vale no chão que tem, mas sim na
gente que lá nasce”
José Hermano Saraiva – 1919-2012
-A todos os que leram esta mensagem agradecia que
pusessem um like (goto)-
Vasco Francisco
sábado, 11 de agosto de 2012
Esta foi a 1ª fonte da Lata. As pessoas dirigiam-se até ao Ribeiro da Lata para matar a sede, era uma fonte um pouco funda, por essa fundura nos dias de hoje transformou-se num poço. Ainda restam vestígios desta fonte, como as escadas e toda a sua estrutura. Um local que pertence também ao património da aldeia.
Foto: 1ª fonte da Lata - 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Quarta feira da Festa (sardinhada)
O Sol nasce a Este da
Lata e assim nasce também o último dia das festas em honra de Nossa Senhora da
Saúde. Nestes dias as ruas ainda estão enfeitadas da procissão do Domingo,
apenas são desfeitas no fim da festa. Os gaiteiros fazem a alvorada da manhã acompanhados
pelos mordomos que batem à porta de quem ainda não deu a esmola. Logo pela
manhã muitos dos aldeãos vão até Miranda, à feira semanal. Lá compram as hortaliças
e os legumes para a sardinhada da festa, outros nem lá vão, vão buscar ao seu
próprio quintal. A tarde chega e chega também
a hora da missa ou do terço, os versos de Fátima cantados pela “aparelhagem”
chamam até à capelinha. É então realizado este último ato de fé durante as
festas. No fim dá-se um momento que leva muitos aldeãos à capela, estou-me a
referir à entrega das flores do andor da padroeira e dos outros santos. Uma vez
que os andores têm de ser desmanchados para no fim da festa os santos voltarem
de novo aos altares, as flores são oferecidas às pessoas que as desejarem, que
fazem ramos para os altares domésticos ou mesmo para o cemitério.
No fim da missa ou
terço começam-se a acender os fogareiros, começa assim a sardinhada, um jantar
em convívio no largo da capela destinado a todos os aldeãos e convidados. Num
espirito de festa e alegria o povo troca nesta noite a cozinha pela rua. O
largo da capela e as ruas envolventes transformam-se num mar de gente que põe
as suas mesas pela rua. Ali jantam. O jantar é sempre sardinha, ora não fosse
uma sardinhada. Um jantar de Verão muito animado e único que ocorre apenas uma
vez por ano. No fim da sardinhada começa o último baile da festa, um baile onde
tudo dança e onde a animação é constante.
Nesta noite dão-se também os jogos tradicionais. Durante o baile a
pessoas divertem-se nestes jogos com muitos anos de existência, saltar à corda,
jogo da malha, corrida de sacos, jogo da corda, jogo do pião, jogo das
cântaras. Entre estes jogos, o que se destaca mais é o jogo das cântaras, é o
mais apreciado e participado. É um jogo de origem minhota que passo a explicar.
Estica-se uma corda no meio da rua, a cerca de 3 metros de altura. Junto da
corda suspendem-se várias cântaras de barro cheias com farinha, outras com
água, dentro das cântaras que estão espaçadas entre si, estão pastilhas ou
moedas. Os concorrentes de olhos vendados e com um pau na mão esperam o sinal
de inicio do jogo. Partem com o objetivo de quebrar as cântaras com o pau. Cada
concorrente pode partir apenas uma cântara.
A noite assim chega ao
fim, uma noite popular e tradicional. As luzes acesas pela última vez na festa
dão cor ao lugar que encerra assim as festas em honra de Nossa Senhora da
Saúde.
Texto: Vasco Francisco
Foto: Arco luminoso - 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Festa da Lata (Domingo)
Já se fazem ouvir os gaiteiros que percorrem a ruas da
aldeia, com eles andam os mordomos da festa, a pedir as esmolas ao povo. A
caixa, o bombo e a gaita de foles assim se fazem ouvir durante duas voltas
diárias à Lata de Sábado a quarta feira, o dia do encerramento dos festejos. O
Sábado é sempre o dia dos preparativos para o grande dia de festa, o Domingo, o
dia principal das festas em honra de nossa Senhora da Saúde. Logo pela manhã as
festas continuam ao som da “aparelhagem” , como dizem os aldeãos, que acorda o
povo de uma noite de folia com o primeiro baile da festa realizado no sábado.
Nas ruas dão-se os últimos retoques às bonitas ruas enfeitadas para a procissão.
Por volta das dez horas os gaiteiros dão a primeira volta ao lugar acompanhados
pelos mordomos. Das cozinhas das casas sai um cheirinho de um dos almoços mais
ricos do ano, que será em família e com amigos. Nos terraços, nas garagens
põe-se as mesas para os convidados. Já depois do meio dia começam a chegar os
convidados a cada casa da aldeia. A receção é alegre num ambiente de festa. O
chefe da casa chama para almoçar e os convidados juntam-se à mesa num ambiente
de festa. Uma mesa onde reina a gastronomia regional e não só. Em dias de festa
como esta nas mesas da aldeia nunca falta a chanfana, a sopa de pão, os
negalhos, a broa cozida no forno de lenha e o arroz doce, são quase pratos
obrigatórios na mesa dos aldeãos. Depois do almoço tudo se prepara para seguir
para o momento mais alto da festa, o momento da missa solene seguida da
procissão. Meia hora antes o pequeno sino da capela chama à missa, depois a
soam os versos de Fátima “aparelhagem” até a missa começar.
Já o Sol vai no
Oeste quando a missa inicia, a capela fica cheia, metade das pessoas fica à
porta. Uma missa sempre cantada pela banda filarmónica que bem fazer a
procissão. No fim da celebração os andores saem à rua para a grande procissão,
a seguir ao pálio onde vem o padre com o santíssimo sacramento segue em andor a
imagem da padroeira, Nossa Senhora da Saúde, é a ela que se deve esta festa e
esta procissão. A procissão vai dar a volta à Lata, desde a Capela até à baixa
da aldeia onde reina o campo e depois volta a subir ao som da banda. Uma
procissão muito bonita e única. As ruas estão todas enfeitadas com arcos, fitas
e tapetes de flores. À chegada a emoção é forte ao olhar a imagem da rainha da
festa (padroeira), este momento religioso termina com a bênção final. No fim
deste momento de dois em dois anos faz-se ouvir a nomeação dos mordomos dos
dois anos seguintes, um momento por vezes de nervosismo e ansiedade. A festa
continua no largo da capela. Junto ao bar os homens reúnem-se em convívio.
Junto a quermesse as pessoas tiram rifas, sai sempre, um ato de ajudar nas
festas e por vezes até vale a pena jogar na sorte. Entretanto as ofertas
começam a chegar, dá-se então o tradicional leilão de ofertas ou de fogaças
como se costuma dizer. Assim chega a hora do jantar, em convívio e ambiente de
festa ainda com os convidados presentes. Quando a noite cai a Lata torna-se uma
aldeia iluminada, a rainha da freguesia, de cores garridas e variadas, arcos
luminosos, bonita como sempre que assim só se vê uma vez por ano. A capela
também ela iluminada fica um monumento encantador. A noite chega ao fim depois
de mais um baile de verão no largo da capela, um baile onde tudo dança, cheio
de alegria e folia. Assim termina o Domingo o principal dia da festa. O
verdadeiro dia da padroeira. Por estas e outras ricas e lindas tradições não me
canso de prenunciar, “Tenho orgulho em ser da Lata, tenho orgulho em ser
Português!”.
Texto: Vasco Francisco
sábado, 4 de agosto de 2012
Vira de Nossa Senhora da Saúde
Quem dança tem alegria
E quem canta tem virtude
Assim nasceu esta dança
À senhora da saúde.
As volta do vira
São boas de dar
Se tu não as sabes Refrão
Eu vou-te ensinar.
A senhora da saúde
Tem estreitas nove janelas
Quem me dera ser o sol
Para entrar por entre elas.
A senhora da saúde
Tem um manto cor do mar,
No dia da procissão
Vem seu povo abençoar.
A senhora da saúde
Tem um filho lavrador
Para semear o trigo
Para a mesa do senhor.
A senhora da saúde
Tem uma coroa à rainha
Tem um menino nos braços
Olhai que rica santinha.
A senhora da saúde
Vem passear pela aldeia
Vem dar a bênção ao povo
Que é a sua padroeira.
A senhora da saúde
Tem alfinete de ouro
No coração traz a Lata
Olhai que rico tesouro.
- Cada terra tem os seus viras, a Lata também os tem, ainda não são muito populares mas adem ser. Este é o vira de Nossa Senhora da Saúde, dedicado à padroeira da Lata. Escrito por Vasco Francisco .
Foto: Nossa Senhora da Saúde.
Quem dança tem alegria
E quem canta tem virtude
Assim nasceu esta dança
À senhora da saúde.
As volta do vira
São boas de dar
Se tu não as sabes Refrão
Eu vou-te ensinar.
A senhora da saúde
Tem estreitas nove janelas
Quem me dera ser o sol
Para entrar por entre elas.
A senhora da saúde
Tem um manto cor do mar,
No dia da procissão
Vem seu povo abençoar.
A senhora da saúde
Tem um filho lavrador
Para semear o trigo
Para a mesa do senhor.
A senhora da saúde
Tem uma coroa à rainha
Tem um menino nos braços
Olhai que rica santinha.
A senhora da saúde
Vem passear pela aldeia
Vem dar a bênção ao povo
Que é a sua padroeira.
A senhora da saúde
Tem alfinete de ouro
No coração traz a Lata
Olhai que rico tesouro.
- Cada terra tem os seus viras, a Lata também os tem, ainda não são muito populares mas adem ser. Este é o vira de Nossa Senhora da Saúde, dedicado à padroeira da Lata. Escrito por Vasco Francisco .
Foto: Nossa Senhora da Saúde.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Foto: Imagem de Nossa Senhora da Saúde no andor - 2011
Grande é a festa que
fazem as aldeias quando comemoram o seu padroeiro. A aldeia da Lata celebra
todos os anos, no primeiro fim de semana de Agosto as festas em honra da sua
padroeira, Nossa Senhora da Saúde. É a maior tradição da Lata, é a festa do
ano. Durante estes dias a Lata é a rainha da freguesia, a aldeia ganha cor,
alegria, torna-se numa verdadeira festa de Verão bem portuguesa.
O culto da Lata é a Nossa
Senhora da Saúde, a sua capela ergue-se no ponto mais alto da aldeia, não vou
estar a falar da capela pois já foi publicado neste grupo a sua história, mas
vou falar sim da imagem da padroeira. A imagem de nossa Senhora da Saúde é uma
escultura muito real. Foi esculpida em Vila Nova de Gaia de onde veio até à
Lata já na década de 90 (?). no dia da chegada à aldeia o povo acolheu a imagem
com alegria e fé, a padroeira foi em procissão desde a velha escola de Semide (onde
hoje se ergue o quartel dos bombeiros) até à capela da Lata. A partir desse dia
nasceu uma grande devoção por nossa
senhora da saúde pelo povo da Lata e até mesmo de aldeias vizinhas. O seu altar
é pintado de azul e branco, cor da paz, nele está a imagem de Nossa Senhora da
Saúde que passo a descrever.
A Imagem de Nossa
Senhora da Saúde é uma imagem muito bonita que puxa muitos traços reais. A
escultura tem aproximadamente 1 metro e meio de altura. Por ser muito pesada,
anualmente para a colocar no andor onde vai em procissão são precisos 2 a 3
homens para lhe pegar. A Senhora da Saúde é uma imagem onde realça o azul e o
dourado do seu manto. Na parte do manto, junto aos pés possui umas pequenas
pedras, uma espécie de diamantes azuis, verdes e vermelhos que brilham e
decoram a imagem. A seus pés, sustentos numa nuvem, possui um anjo. A imagem
maravilhosa sustenta no seu braço esquerdo um menino ao colo, seu filho Jesus
Cristo, na sua mão direita possui uma vareta dourada com a qual abençoa o seu
povo. Como nossa Senhora é rainha não poderia faltar a sua coroa, a imagem
possui duas coroas, a 1ª coroa é uma coroa de origem da imagem, simples e gasta
pelo tempo, a 2ª coroa é uma coroa recente muito bonita que apenas é colocada
nos dias da sua festa, uma peça muito dourada que possui cerca de 24 pedrinhas que
parecem pedras de diamante. Ainda pertencem à imagem duas peças que apenas se
vêm expostas uma vez por ano, estou-me a referir ao manto azul com uma
bordadura dourada que é colocado na imagem durante os dias da festa e que é
prezo por um alfinete de ouro.
Assim é a primorosa imagem
de Nossa Senhora da Saúde, padroeira do povo da Lata, povo que a ela presta um
forte culto. O momento mais importante da festa religiosa é a procissão que
corre as ruas do lugar da Lata, a procissão em honra de Nossa Senhora da Saúde
que atrae pessoas de aldeias e freguesias vizinhas que vêm por curiosidade ou
mesmo agradecer graças concedidas.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Chegou o mês de Agosto.
O mês do
emigrante e das festas de Verão. São muitos os emigrantes do nosso país que
nesta altura do ano vêm matar as saudades à sua terra natal, cada emigrante que
sai do país leva sempre a sua terra no coração. A todos os emigrantes (especialmente
aos emigrantes de Semide) em viagem e que estão regresso, desejo uma boa viagem
e boas férias no seu país.
As festas de Verão são constantes
no mês de Agosto. As festas das aldeias e as romarias são a verdadeiras festas
de alma portuguesa, as mais genuínas. As festas em honra do padroeiro(a) são os
grandes momentos das aldeias. Exemplo desta folia é a Lata. È já neste fim de
semana que iniciam as festas em honra de nossa Senhora da Saúde, é nesta altura
de festa que a Lata se torna a rainha da freguesia. Os preparativos da festa já
começaram, o espirito da festa já se faz sentir na maior parte dos aldeãos.
Foto: Rua da fonte - Lata - Uma das ruas mais antigas da aldeia.
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