domingo, 23 de setembro de 2012


Descamisada
A noite cai na aldeia.
O serão inicia na eira,
À luz da lua e da velha candeia,
Começa a descamisada,
Tradição tão esperada.

O cereal que foi da terra,
Volta sempre a ser do homem.
A conversa na noite se encerra,
Ao sabor das iguarias,
Noite de festa, noite de alegrias.

Milho Rei!
A exclamação aguardada.
A música reina na festa,
Ao som da viola e do acordeão
Assim termina a tradição.

Setembro 2012
Vasco Francisco


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Imagens impressionantemente do incêndio que lavrou até hoje de madrugada com uma frente ativa em localidades da freguesia de Semide. Um autêntico inferno comparado ao grande fogo de 2005. A todos os bombeiros, obrigado, sem eles já não teríamos metade do que temos.

http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/13700720/1
É Preciso Acreditar
Uma homenagem a Luiz Goes, uma voz de Coimbra. Interpretou e compôs baladas e fados de Coimbra entre os quais "É preciso acreditar" e "Fado da despedida". As capas negras do fado de Coimbra ficaram ainda mais escuras mas nunca será esquecido este grande homem de Coimbra e de Portugal.


Ainda a promover o ciclo do a milho, publico aqui a foto de um espigueiro, na nossa região apenas temos as eiras mas no Minho o espigueiro é característico, o Minho já não era a mesma coisa se não tivesse esta obra da arquitetura que servia para guardar o milho. Eram construídos altos para que o cereal não fosse devorado pelos ratos e outras pragas.



sábado, 8 de setembro de 2012


O Ciclo do Milho

Durante o ano agrícola existem pelo menos três épocas de maior relevância e agitação para os agricultores: as vindimas, a apanha da azeitona e as escamisadas ou desfolhadas do milho. É nesta última época referida (desfolhadas do milho) que no situamos e já bem perto das vendimas. 
O milho é uma sementeira que desde à muito tempo é cultivada na região. O aparecimento do milho causou uma revolução na agricultura, aumentando as explorações agrícolas e o trabalho dos camponeses. O cultivo do milho antigamente era feito todo da mesma forma, apenas a paisagem devido ao seu aparecimento trousse diferenças, ou seja na nossa região construíram-se apenas as eiras, mais a norte originaram eiras e espigueiros.

O milho é um cereal que requere muito trabalho desde o seu lançamento à terra até ao moinho caso assim seja o seu destino. Na Lata os mais velhos relatam que antigamente os bois dos particulares apenas saiam três vezes por ano: lavoura, colheita do milho e nas vindimas. Contam que a parte mais bonita do cultivo do cereal era as desfolhadas nas eiras à luz das candeias e da lua onde a animação era até ao romper do dia.  Algumas pessoas da Lata possuíam moinhos de água que ainda hoje se podem ver infelizmente em ruínas em terras vizinhas, era lá que o trigo, centeio e o milho (cereais cultivados em abundância na localidade) eram moídos e transformados em farinha para fazer o maravilhoso pão e a broa, cozidos no forno de lenha.
Antigamente o milho era cultivado de uma forma diferente da atualidade. O cultivo era feito com a interação do homem com os animais. Começa em Maio com o transporte do estrume  produzido pelos animais para o campo. O campo é estrumado, lavrado e gradado. Depois de pronto será semeado. Já depois do campo lavrado com o arado o campo é gradado com a grade dos bois. Em Junho o campo é mondado para que a sementeira cresça mais rápido, a partir daqui começa a ser regado regularmente. Em finais de Agosto, inícios de Setembro o milho é apanhado e transportado para a eira onde se faz a desfolhada. Na eira realiza-se a desfolhada ao som das cantorias e dos músicos que faziam de palco a carroça dos bois. Competiam entre si os convidados naquela noite jogando à dúzia, o 1º que desfolha-se 12 espigas ganhava. Um dos costumes mais bonitos desta tradição era o seguinte: o milho rei era a espiga vermelha, quem desfolha-se essa espiga tinha de dar uma abraço a todas as pessoas presentes. No fim da descamisada a festa continuava com uma merenda de enchidos, bolos, vinho e outras iguarias ao som do clarinete, violas, concertinas e outros instrumentos populares locais.

Depois o milho era posto a secar durante uns dias, na eira (caso da nossa região) ou nos espigueiros (região do baixo e alto Minho). Depois de seco é malhado com o malho numa batida certa e rítmica. Por fim é peneirado e guardado em grandes arcas de madeira. Mais tarde é levado para o moinho ou para as azenhas, ou então era dado aos animais como alimento. A palha, o resto da planta, é seca e no inverno vai ser alimento para o gado. Assim se completa o ciclo do milho de onde tudo é aproveitado.
Tudo o que aqui escrevi poderá ser visto através de um filme que aqui deixo para que possa ver e desfrutar das nossas tradições e costumes.

“Milho à Terra” foi um filme realizado com a colaboração de um grupo de agricultores da freguesia de outeiro e acompanha todo um ciclo de vida agrícola. Uma realização que mostra um costume rural que se vai perdendo com o tempo. Uma produção “Ao Norte” – 2007.      


Texto de Vasco Francisco 



terça-feira, 4 de setembro de 2012


O Inferno Sobe à Terra
O Sol, parece uma incógnita
Escondida por um manto de fumo.
Quando o fogo devora a terra,
Parece também devorar o Sol
Devido à cor forte que encerra.

O ambiente abafado e quente,
Sustem o cheiro do mato queimado
Pela força de uma natureza,
Irritada e chateada com o homem
Que lhe rouba o encanto e a beleza. 

O fogo é uma força aniquiladora.
Origem de lágrimas e gritos,
Origem de muita aflição.
É o inferno que sobe à terra,
Numa grande contestação.

Poema de Vasco Francisco
Foto de Helena Prata