sexta-feira, 30 de novembro de 2012


                                                              Matança do Porco
Nesta altura do ano, mais propriamente a partir do S. Martinho, os habitantes de muitas aldeias de Portugal realizam um costume já muito antigo e tradicional. A matança do porco. Os aldeãos matam o porco que criaram ao longo de meses com cuidado e atenção. Estes animais são exemplos da criação cuidada de animais caseiros. A carne é  saborosa e de mais qualidade. A matança do porco é quase uma festa para os aldeãos. Junta-se a família e os vizinhos num trabalho recompensado. Antigamente um porco era o alimento de uma família por muito tempo, nas povoações mais isoladas era um alimente muito rico. Quase tudo se comia e aproveitava do porco. O costume vai desde a matança até à conservação da carne (antigamente conservada nas salgadeiras e na confeção de enchidos). Um dia antes da matança iniciavam-se os preparativos e convidavam-se os vizinhos e a família e se não houvesse entre eles tinha-se de falar a um matador.  De acordo com a sabedoria popular procurava-se matar um porco nesta altura por causa do frio, para que a carne de torna-se mais rija para a sua conservação. O matador era sempre o homem que tem o papel mais importante, tem a função de matar e desmanchar o porco que era repartido para todo o ano, sendo uma parte para salgar e outra parte para enchidos. A matança do porco perlongava-se por vários dias, um dia para matar o animal e só no outro dia se desmanchava. Com a ajuda dos convidados o porco era morto e era aproveitado o sangue que na cozinha vem a originar um prato simples e saboroso “sangue cozido” que é servido tradicionalmente em cima do porco já depois de chamuscado. É servido num prato de barro forrado com carqueja. A matança de um porco era uma cerimónia que por vezes tinha direito a música. Concertina e viola e depois cantadores para cantar ao desafio. O almoço ou o jantar era feito das partes do porco, sarrabulho, fêveras entre outras iguarias acompanhadas pela broa e regadas pelo bom vinho. Depois da festa feita, à que conservar a carne. A parte da carne que era salgada, era colocada numa grande arca (salgadeira) para que fosse toda coberta de sal. Depois de salgada, passados uns oito dias algumas partes do porco eram fumadas e recebiam a respetiva cura. O produtos do fumeiro (chouriças, farinheiras, morcelas) davam trabalho todo o inverno, eram secos ao fumo das lareiras, pendurados em varas atravessadas na lareira. Alguns enchidos depois de fumados eram conservados em azeite.
Este costume é sem dúvida um ato de convivência entre os aldeãos. É um marco na etnografia da nossa região, sendo um costume tradicional em todas as aldeias do nosso país. Esta altura é assim conhecida pelo Verão de S. Martinho, e é por esta ocasião que se sucede este ritual.

“Pelo S. Martinho mata o teu porco e prova o teu vinho.”   

Texto de Vasco Francisco
Foto de Rui Pires 


quinta-feira, 8 de novembro de 2012


A Associação Desportiva Cultural Recreativa da Lata convida todos os seus amigos e utentes para comparecer no tradicional magusto que se vai realizar no dia 11 de Novembro, dia de S.Martinho.
Mais uma tradição que se vai festejar. A associação espera por vocês, traz a jeropiga.



Associação Desportiva Cultural e Recreativa da Lata

A ADCR da Lata foi fundada na década de 90 para ocupar o vazio cultural, desportivo e recreativo que se verificava na Lata até à data da sua fundação. Esta associação tem como função preservar e organizar as tradições, e eventos da aldeia. Desempenha ainda o papel de representar o povo da Lata e preservar o património local a ela relacionada. De dois em dois anos tomam posse, normalmente cinco a seis mordomos. Fazem eles parte da comissão de festas, onde há um presidente, um secretário e um tesoureiro. Desde a fundação desta associação que é do povo da Lata, já por lá passaram mais de 10 comissões de festas. A comissão de festas tem um papel muito importante na vida da aldeia, é ela que tem o cargo de organizar as festas anuais sendo a festa da padroeira a de mais trabalho para os comissários. Tem o cargo de organizar os convívios e torneios sendo o torneio de sueca o mais importante. A associação da Lata oferece ainda um serviço de bar todos os domingos do ano na sede da associação (na alta da aldeia) onde se realizam os bailes e convívios. As instalações são de ótimas condições para a realização de eventos e festas. A associação possui uma bandeira e brasão próprio. O cargo de comissário é dirigido a todos os cidadãos da Lata sendo a comissão sempre composta por solteiros e casados. Este cargo não é fácil, requer muito trabalho e responsabilidade. A todos os comissários que por lá passaram um bem-haja a todos pelo trabalho que lá realizaram. Terminando presto também uma simples homenagem àqueles comissários que já exerceram o cargo e já não estão entre nós.  

Texto de Vasco Francisco
Foto de Vasco Francisco - Sede da Associação.