sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


A Mesa de Natal
O Natal é a festa da família e da esperança. É um momento de união, amor e harmonia. A família é uma das coisas mais preciosas que temos na vida. É através dela que conseguimos sentir o verdadeiro aconchego da noite de natal. Apesar dela há mais coisas que nos aconchegam na noite mais unida do ano. O calor da lareira chama-nos a conviver junto dela, ali toda a família se reúne em harmonia. Mas há outra coisa que nos convida, as iguarias tradicionais da mesa de Natal.

O Natal na aldeia tem a sua diferença em relação ao natal na cidade. Uma das diferenças é por vezes os sabores apresentados à mesa.

As iguarias preparam-se também em família, pelas mãos das avós que vão ensinando aos filhos e netos os doces e pratos tradicionais da gastronomia desta quadra. Da cozinha sai um cheiro a natal, uma mistura de sabores que são apreciados no fim da ceia, onde reina o bacalhau, o peru e por vezes o cabrito. Estes são os três pratos principais, mais populares na mesa dos portugueses na hora da consoada. No fim deste que é o parto principal, a mesa das iguarias espera pela família.

Sobre a mesa, estende-se a toalha de natal mais bonita, que apenas é exposta uma vez por ano. Sobre ela decora a mesa, um arranjo de natal onde o vermelho, os dourados e o verde se destacam. Mas o que se destaca mais na mesa, são as iguarias que expandem o cheiro do natal, onde a canela e o açúcar tomam um cheiro especial. Sobre a mesa fumegam ainda as rabanadas (fatias douradas) acabadas de fritar. A combinar com elas, os sonhos de abóbora (filhoses) e os coscorões cobertos com açúcar. Como rei da mesa, está o bolo rei. Cozidas no forno de lenha as saborosas broinhas de batata ou de abóbora acompanham com um belo chá como também o pão de ló. Como doces de prato, recheiam a mesa a aletria, o arroz doce, as farófias o leite-creme e diversos doces com fios de ovos como a lampreia de ovos ou as trouxas de ovos. Para completar, o tronco de natal e a mousse de chocolate caseira fecham assim, a mesa tradicional de natal.

Depois de tanta doçaria, aqui acabo este meu doce artigo sobre as iguarias da completa  mesa tradicional de natal das aldeias de Portugal. 
        
Texto de Vasco Francisco


terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Árvore de Natal
Nesta quadra natalícia o espirito de natal chama-nos a construir e a dar vida aos símbolos de natal, como o presépio, as coroas, a árvore de natal, etc. Não só é uma maneira de enfeitar a nossa casa mas também é uma maneira de irradiar o clima de amor, união e paz nesta época especial.     
A árvore de natal é talvez o símbolo mais significativo a seguir ao presépio. Quando começa o advento as pessoas constroem a sua árvore de natal. Atualmente as árvores artificiais são as mais procuradas e mais vistas mas nas aldeias e não só, ainda há quem vá ao pinhal buscar o seu pinheiro natural. O pinheiro tem folhas verdes em qualquer estação do ano, mostra assim que é possível manter a esperança, mesmo nas situações mais difíceis da vida. O pinheiro decora-se com fitas, luzes, laços, bolas coloridas e entre outras coisas. As bolas coloridas simbolizam os frutos da árvore da vida. Como estão em grande número e variedade, representam as coisas boas que edificamos na nossa missão de vida na terra. No topo do pinheiro a estrela. Representa o caminho indicado por Deus aos seus filhos. Está sempre no alto, pois assim todos podemos ver os sinais e a luz do nosso salvador.
Todos os símbolos natalícios têm o seu significado como é o caso da árvore de natal.     

Texto de Vasco Francisco 


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


                                              Foto de Vasco Francisco
                                              Presépio da família Marques (um presépio tradicional português)

domingo, 16 de dezembro de 2012


Presépio

O presépio é um dos símbolos mais importantes da quadra natalícia. O presépio retrata o verdadeiro natal.

A origem remonta a São Francisco de Assis, foi este santo que fundou a ordem franciscana que teve a ideia de representar desta forma as cenas bíblicas do nascimento de Cristo. O presépio transmite-nos a fraternidade, o amor e a humildade. A sagrada família, os animais que aconchegaram o menino (burro e a vaca) e os reis magos são as figuras principais de qualquer presépio. Atualmente os pequenos presépios apresentam apenas estas figuras, mas quanto ao presépio tradicional português muitas mais figuras se apresentam no presépio. O gosto popular acrescentou muitas mais figuras, relacionadas com as atividades socioeconómicas: moinhos, casas, moleiros, sapateiros, peixeiras, rios, pastores, cenas da matança do porco, lavadeiras, vendedora de castanhas, gaiteiros, entre outras muitas figuras populares. Os presépios são elaborados em casas particulares, nas ruas, nas igrejas etc. Atualmente na nossa região os aldeãos ainda costumam fazer o presépio tradicional, alguns deles constroem grandes e bonitos presépios, onde as figuras de barro pintado assentam sobre o verde musgo que é apanhado no pinhal. Nas igrejas os presépios são também uma atração. Ainda hoje muitas pessoas vão de prepósito à missa nesta altura só para ver o presépio da igreja, e há quem diga que os presépios expostos nas capelas e igrejas são o principal atrativo religioso para ir à Missa do Galo. Portugal é um país que tem como tradição a cerâmica, uma tradição rica e artística que se reflete nos presépios tradicionais e não só, também nos pequenos presépios feitos por artesãos onde a criatividade dá origem a magníficos trabalhos.

É este o símbolo de Natal mais admirado na nossa aldeia, por vezes as pessoas vão umas a casa se outras só para ver os presépios.

Deixo durante os próximos dias um desafio aos membros deste grupo. É simples basta tirar uma fotografia ao seu presépio e partilhá-la aqui na página do grupo com o respetivo autor e se preferível o nome do presépio ou da família onde está inserido (por ex. “Presépio da família Marques”). Vamos tornar a nossa página num presépio por uns dias.



Texto de Vasco Francisco
Foto de Vasco Francisco       

terça-feira, 11 de dezembro de 2012


                                                      Advento
Encontramo-nos na segunda semana do advento. O Natal já lembra, e já se reflete nas ruas, nas casas, nos centros comerciais e na cara das pessoas.

O advento é a preparação para o Natal, é um período de oração e penitência. Advento quer dizer “o tempo de espera do que ade vir”. Nesta altura do ciclo natalício as pessoas preparam as suas casas, decorando-as com árvores de natal, presépios entre outros símbolos natalícios. As ruas e monumentos enchem-se de luzes que transmitem o espirito da quadra. Um dos símbolos de natal é a chamada coroa do advento, representa esperança e a anunciação do nascimento de Cristo. Esta tradição chegou à Europa no início do séc.XX. A coroa sustem quatro velas que representam os quatro Domingos que antecedem o Natal. Cada vela é acesa no seu domingo, por tradição a família reza e canta em sua volta durante esses quatro domingos. A sua forma circular representa para os cristãos a aliança entre Deus e o homem, o amor de Deus e a sua eternidade. A coroa é forrada por verdes ramagens que a decoram, estas representam a vida e a esperança. Estas ramagens são mais propriamente de pinheiro, cipreste e azevinho (excecional), sendo que estas árvores são sempre verdes, ou seja durante o Outono nunca perdem a folha e continuam verdes no inverno, daí simbolizar a esperança e a vida. Por vezes coloca-se uma fita vermelha que simboliza o amor de Deus. É desta forma que é elaborada a coroa do advento. Atualmente as pessoas colocam a sua criatividade na tradição e fazem coroas muito criativas e bonitas.  

Durante as próximas semanas, abordarei neste grupo temas relacionados com o Natal. Apesar da crise o Natal continua a ser o que sempre foi, o nascimento de Cristo, a harmonia, união e amor em família. Em relação a presentes e decoração urbana aí sim há crise.   

Texto de Vasco Francisco   









sexta-feira, 30 de novembro de 2012


                                                              Matança do Porco
Nesta altura do ano, mais propriamente a partir do S. Martinho, os habitantes de muitas aldeias de Portugal realizam um costume já muito antigo e tradicional. A matança do porco. Os aldeãos matam o porco que criaram ao longo de meses com cuidado e atenção. Estes animais são exemplos da criação cuidada de animais caseiros. A carne é  saborosa e de mais qualidade. A matança do porco é quase uma festa para os aldeãos. Junta-se a família e os vizinhos num trabalho recompensado. Antigamente um porco era o alimento de uma família por muito tempo, nas povoações mais isoladas era um alimente muito rico. Quase tudo se comia e aproveitava do porco. O costume vai desde a matança até à conservação da carne (antigamente conservada nas salgadeiras e na confeção de enchidos). Um dia antes da matança iniciavam-se os preparativos e convidavam-se os vizinhos e a família e se não houvesse entre eles tinha-se de falar a um matador.  De acordo com a sabedoria popular procurava-se matar um porco nesta altura por causa do frio, para que a carne de torna-se mais rija para a sua conservação. O matador era sempre o homem que tem o papel mais importante, tem a função de matar e desmanchar o porco que era repartido para todo o ano, sendo uma parte para salgar e outra parte para enchidos. A matança do porco perlongava-se por vários dias, um dia para matar o animal e só no outro dia se desmanchava. Com a ajuda dos convidados o porco era morto e era aproveitado o sangue que na cozinha vem a originar um prato simples e saboroso “sangue cozido” que é servido tradicionalmente em cima do porco já depois de chamuscado. É servido num prato de barro forrado com carqueja. A matança de um porco era uma cerimónia que por vezes tinha direito a música. Concertina e viola e depois cantadores para cantar ao desafio. O almoço ou o jantar era feito das partes do porco, sarrabulho, fêveras entre outras iguarias acompanhadas pela broa e regadas pelo bom vinho. Depois da festa feita, à que conservar a carne. A parte da carne que era salgada, era colocada numa grande arca (salgadeira) para que fosse toda coberta de sal. Depois de salgada, passados uns oito dias algumas partes do porco eram fumadas e recebiam a respetiva cura. O produtos do fumeiro (chouriças, farinheiras, morcelas) davam trabalho todo o inverno, eram secos ao fumo das lareiras, pendurados em varas atravessadas na lareira. Alguns enchidos depois de fumados eram conservados em azeite.
Este costume é sem dúvida um ato de convivência entre os aldeãos. É um marco na etnografia da nossa região, sendo um costume tradicional em todas as aldeias do nosso país. Esta altura é assim conhecida pelo Verão de S. Martinho, e é por esta ocasião que se sucede este ritual.

“Pelo S. Martinho mata o teu porco e prova o teu vinho.”   

Texto de Vasco Francisco
Foto de Rui Pires 


quinta-feira, 8 de novembro de 2012


A Associação Desportiva Cultural Recreativa da Lata convida todos os seus amigos e utentes para comparecer no tradicional magusto que se vai realizar no dia 11 de Novembro, dia de S.Martinho.
Mais uma tradição que se vai festejar. A associação espera por vocês, traz a jeropiga.



Associação Desportiva Cultural e Recreativa da Lata

A ADCR da Lata foi fundada na década de 90 para ocupar o vazio cultural, desportivo e recreativo que se verificava na Lata até à data da sua fundação. Esta associação tem como função preservar e organizar as tradições, e eventos da aldeia. Desempenha ainda o papel de representar o povo da Lata e preservar o património local a ela relacionada. De dois em dois anos tomam posse, normalmente cinco a seis mordomos. Fazem eles parte da comissão de festas, onde há um presidente, um secretário e um tesoureiro. Desde a fundação desta associação que é do povo da Lata, já por lá passaram mais de 10 comissões de festas. A comissão de festas tem um papel muito importante na vida da aldeia, é ela que tem o cargo de organizar as festas anuais sendo a festa da padroeira a de mais trabalho para os comissários. Tem o cargo de organizar os convívios e torneios sendo o torneio de sueca o mais importante. A associação da Lata oferece ainda um serviço de bar todos os domingos do ano na sede da associação (na alta da aldeia) onde se realizam os bailes e convívios. As instalações são de ótimas condições para a realização de eventos e festas. A associação possui uma bandeira e brasão próprio. O cargo de comissário é dirigido a todos os cidadãos da Lata sendo a comissão sempre composta por solteiros e casados. Este cargo não é fácil, requer muito trabalho e responsabilidade. A todos os comissários que por lá passaram um bem-haja a todos pelo trabalho que lá realizaram. Terminando presto também uma simples homenagem àqueles comissários que já exerceram o cargo e já não estão entre nós.  

Texto de Vasco Francisco
Foto de Vasco Francisco - Sede da Associação. 


quarta-feira, 31 de outubro de 2012


Outono
As folhas tocadas pelo vento,
Deitam-se sobre o verde manto
Que calca a terra.
O sol traz quente o sentimento,
Que irradia no imenso campo,
Que é esculpido pelo frio da serra.

O castanheiro abandona a folha afiada,
O fumo das fogueiras matinais se faz sentir.                                 
A chuva rompe o céu cinzento,
Abrigasse um rebanho que pastava,
E o sol resolve partir,
Numa mudança de vontades e do tempo.

Em perfeita melodia,
Soa em coro a natureza,
Numa nobre canção.
Cada folha da oliveira, embala uma gota fria,
Que desce do céu com delicadeza.
Assim é o encanto desta serena estação.

Outubro 2012

Poema de Vasco Francisco
Foto de Helena Prata