Festa da Lata (Domingo)
Já se fazem ouvir os gaiteiros que percorrem a ruas da
aldeia, com eles andam os mordomos da festa, a pedir as esmolas ao povo. A
caixa, o bombo e a gaita de foles assim se fazem ouvir durante duas voltas
diárias à Lata de Sábado a quarta feira, o dia do encerramento dos festejos. O
Sábado é sempre o dia dos preparativos para o grande dia de festa, o Domingo, o
dia principal das festas em honra de nossa Senhora da Saúde. Logo pela manhã as
festas continuam ao som da “aparelhagem” , como dizem os aldeãos, que acorda o
povo de uma noite de folia com o primeiro baile da festa realizado no sábado.
Nas ruas dão-se os últimos retoques às bonitas ruas enfeitadas para a procissão.
Por volta das dez horas os gaiteiros dão a primeira volta ao lugar acompanhados
pelos mordomos. Das cozinhas das casas sai um cheirinho de um dos almoços mais
ricos do ano, que será em família e com amigos. Nos terraços, nas garagens
põe-se as mesas para os convidados. Já depois do meio dia começam a chegar os
convidados a cada casa da aldeia. A receção é alegre num ambiente de festa. O
chefe da casa chama para almoçar e os convidados juntam-se à mesa num ambiente
de festa. Uma mesa onde reina a gastronomia regional e não só. Em dias de festa
como esta nas mesas da aldeia nunca falta a chanfana, a sopa de pão, os
negalhos, a broa cozida no forno de lenha e o arroz doce, são quase pratos
obrigatórios na mesa dos aldeãos. Depois do almoço tudo se prepara para seguir
para o momento mais alto da festa, o momento da missa solene seguida da
procissão. Meia hora antes o pequeno sino da capela chama à missa, depois a
soam os versos de Fátima “aparelhagem” até a missa começar.
Já o Sol vai no
Oeste quando a missa inicia, a capela fica cheia, metade das pessoas fica à
porta. Uma missa sempre cantada pela banda filarmónica que bem fazer a
procissão. No fim da celebração os andores saem à rua para a grande procissão,
a seguir ao pálio onde vem o padre com o santíssimo sacramento segue em andor a
imagem da padroeira, Nossa Senhora da Saúde, é a ela que se deve esta festa e
esta procissão. A procissão vai dar a volta à Lata, desde a Capela até à baixa
da aldeia onde reina o campo e depois volta a subir ao som da banda. Uma
procissão muito bonita e única. As ruas estão todas enfeitadas com arcos, fitas
e tapetes de flores. À chegada a emoção é forte ao olhar a imagem da rainha da
festa (padroeira), este momento religioso termina com a bênção final. No fim
deste momento de dois em dois anos faz-se ouvir a nomeação dos mordomos dos
dois anos seguintes, um momento por vezes de nervosismo e ansiedade. A festa
continua no largo da capela. Junto ao bar os homens reúnem-se em convívio.
Junto a quermesse as pessoas tiram rifas, sai sempre, um ato de ajudar nas
festas e por vezes até vale a pena jogar na sorte. Entretanto as ofertas
começam a chegar, dá-se então o tradicional leilão de ofertas ou de fogaças
como se costuma dizer. Assim chega a hora do jantar, em convívio e ambiente de
festa ainda com os convidados presentes. Quando a noite cai a Lata torna-se uma
aldeia iluminada, a rainha da freguesia, de cores garridas e variadas, arcos
luminosos, bonita como sempre que assim só se vê uma vez por ano. A capela
também ela iluminada fica um monumento encantador. A noite chega ao fim depois
de mais um baile de verão no largo da capela, um baile onde tudo dança, cheio
de alegria e folia. Assim termina o Domingo o principal dia da festa. O
verdadeiro dia da padroeira. Por estas e outras ricas e lindas tradições não me
canso de prenunciar, “Tenho orgulho em ser da Lata, tenho orgulho em ser
Português!”.
Texto: Vasco Francisco
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