terça-feira, 31 de julho de 2012

Capela da Lata - II

A parte interior da capela consta também numa arquitetura simples. Possui um altar principal, onde está a imagem da padroeira da aldeia, Nossa Senhora da Saúde. Um altar onde predomina o branco, o azul e uma faixa amarela. A capela possui 7 altares laterais onde estão as imagens de S. João, S. António, S. Brás, S. José, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Srª de Fátima e São José.  Estas imagens foram oferecidas pelas pessoas da aldeia na altura da construção da capela. O altar do santíssimo tem como fundo a cor vermelha. A caixa do santíssimo é uma peça da cor do ouro que na porta tem em relevo uma sementeira de trigo. Os panos e toalhas dos altares têm sido oferecidos (maior parte) ao longo dos anos para a capela.  A pia da água benta é uma peça recente que terá sido oferecida por mulheres da aldeia. Sob a porta principal ergue-se o coro.
Em horas da aflição a capela é local de refúgio à oração, a população da Lata é toda ela uma população de fé e de tradições religiosas. Antes da construção da capela o povo da Lata comemorava a festa com o povo de Semide pois lá havia e há ainda hoje uma capela em honra de nossa Senhora da Graça. Por questões financeiras e não só o povo da Lata resolveu construir a sua própria capela e festejar as janeiras e as festas em honra de Santo António (1º fim de semana de Junho) e em honra da sua padroeira, nossa senhora da saúde (1º fim de semana de Agosto).
Assim é a capela da Lata, cada pessoa vê-a de maneira diferente mas o povo da Lata vê-a da mesma maneira, bonita e simples.

 Foto: Capela da Lata - Festa de Agosto - Foto de Helena Prata



Capela da Lata - I

A capela da Lata foi construída à cerca 23 anos (1989-1900). Erguida no alto da aldeia faz parte do património da terra, é considerado o local mais bonito pelos aldeãos. A sua construção terá sido feita por pessoas da aldeia para preencher e enriquecer a cultura, a religião e o património do lugar.  Pintada de branco e cortada pela cor dourada das suas janelas, é um edifício simples mas maravilhoso. A torre sineira sustenta um pequeno sino que terá sido repicado pela primeira vez na inauguração da capela, uma torre que possui no topo um catavento popular português. Em cada esquina do telhado tem uma mitra. A fachada principal da capela é composta por duas janelas estreitas, preenchidas por uma cruz e pela porta trabalhada em quadrados de relevo. Ainda na fachada principal debaixo de um alpendre de telha sustento por seis colunas podemos observar um trabalho de calçada portuguesa. No topo da ermida ergue-se uma cruz luminosa.



Pardal

De olhar atento e cansado,
Contempla a sua liberdade,
A paisagem a que está habituado,
Nos seus olhos a serenidade. 

Se o homem olhasse a Terra
Como este bonito pardal,
O mundo era uma verde serra,
Era a poesia ideal. 

De bico cerrado,
Guarda o sentimento. 
Sente-se um pardal abandonado
Pelos homens que lhe causam ferimento. 

2 - 7 - 2012 

A Lata é uma aldeia de músicos, poetas, fotógrafos...
Esta publicação é um exemplo disso mesmo, o poema de Vasco Francisco e a fotografia é de Helena Prata.


quarta-feira, 25 de julho de 2012


História do Mosteiro de Santa Maria de Semide - II

Quando das invasões francesas em 1807, as monjas procuraram colocar as suas riquezas em lugar seguro, depositando-as no mosteiro de Santa Cruz em Coimbra. Por essa mesma altura o convento funcionou como hospital, socorrendo os doentes dos hospitais militares de Coimbra. Também por ocasião das epidemias de 1858-1859, o nosso mosteiro desempenhou um importante papel recebendo e educando muitas órfãs.
A 21 de Agosto de 1896 morreu a última professa, D.Maria dos Prazeres Pereira Dias, e com ela o velho mosteiro de Semide. Nele ainda se mantiveram algumas pupilas até que a junta distrital tomou conta do edifício. À entrada do terreiro havia hospedarias, onde em 1779 morreu um dos grandes bispos de Coimbra  D.Miguel da Anunciação.
O convento de Semide tinha muitos rendimentos espalhados por uma grande área. Contudo a vida no convento sempre foi difícil, porque os rendimentos estavam muito espalhados e por isso muitas vezes nunca recebiam. Contudo o mosteiro ainda tinha muitos valores. Uma grande parte destes valores foi vendida pelas  freira, que por isso se viram obrigadas quando lhes foram confiscados os seus bens. Outros foram roubados pelas populações. Apesar de todos estes desvios ainda foram para a academia das belas artes de Lisboa sete carros de bois com objetos diversos. Os últimos anos da vida do convento foram mesmo uma miséria, vivendo as freiras exclusivamente das esmolas do Senhor da Serra.

Mais tarde retomaremos a história deste mosteiro, um dos pontos mais importantes do roteiro da nossa freguesia.  

Foto: Torre Sineira do terreiro de Semide.


História do Mosteiro de Santa Maria de Semide

No séc.XI, viveu um fidalgo notável, D.Anião da Estrada, pai de D.João de Anaia, que foi bispo de Coimbra, e de D.Martim Anaia. Foram estes dois fidalgos que em 1154, fundaram o convento de Semide. A escolha deste local para a edificação do mosteiro talvez tenha sido devido à fertilidade dos terrenos e ao sossego da região. Foi inicialmente, destinado a frades, mas, possivelmente porque na família houvesse mais mulheres do que homens, é convertido em convento de freiras, tendo sido a neta do fundador, D.Sancha Martins, a primeira abadessa.
Durante muitos e muitos anos, pouco ou nada se sabe sobre a vida destas religiosas. Em 1541, o rei D.João III faz reformas no mosteiro. Já mais perto de nós em Fevereiro de 1610, o convento sofre um grande golpe quando o bispo de Coimbra D.Afonso Castelo Branco, ordena a mudança das freiras e todos os valores do mosteiro para o convento de Sant’ Ana de Coimbra. Passa-se então, um curioso episódio, porque as freiras reclamam e, apoiadas pelos estudantes de Coimbra, obrigam o bispo a permitir-lhes o regresso a sua casa. Como aconteceu ainda à poucos anos também grande parte do edifício ardeu num pavoroso incendio, em 1664. Por esta razão, o que hoje existe do convento não é o primitivo edifício, mas o que foi reconstruido por essa cultura. 

Foto: Nicho da entrada principal do convento de Semide; Imagem de S.Bento.


sábado, 14 de julho de 2012


Não poderia deixar de promover neste grupo o mais antigo e o mais importante monumento da freguesia de Semide, estou a falar do Mosteiro de Santa Maria de Semide. Semide nasceu com o seu convento, este tem uma história muito longa, basta dizer que nasceu com Portugal.
Foi com o convento de Semide que a nossa terra se tornou conhecida e famosa. Semide já foi sede do concelho e por cá vieram e morreram grandes figuras de bispos e fidalgos.
Os nossos reis, desde os mais antigos mostraram especial devoção e simpatia pelo nosso convento. Por exemplo, o rei D.João IV, em 1655, permitiu a realização de uma feira anual em Semide, junto do mosteiro, no dia de S.Bento; D.Pedro II, em 1702, autoriza que essa feira se prolongue por três dias. Os povos desta zona nunca mostraram grande Simpatia pelas religiosas da circunstância de serem mulheres, muitas vezes espoliavam-nas dos seus bens e rendimentos. Porém que este facto nos leve a nós a salvar da ruína o que resta do nosso convento e que o conhecimento da sua história desperte o nosso bairrismo para que esta terra volte a ocupar o lugar a que tem direito. 

Assim era a fonte da Lata até ao seu último restauro (2010). 


"A fonte da minha aldeiaEstá no centro do lugar,Ninguém diga que ela é feiaPois é linda de encantar"


Retirado do poema "A minha aldeia" que foi elegido para o concurso "faça lá um poema" á cerca de 3 anos.Vasco Francisco

segunda-feira, 9 de julho de 2012


O lavadouro da fonte da Lata, é composto por três tanques. O mais comprido era onde era esfregada a roupa, o segundo era o tanque onde a roupa passava pela última vez, o 1º tanque não servia para lavar, era o tanque onde os bois bebiam água, quando as pessoas ali passavam com as suas carroças em direção às terras punham os bois a matar a cede naquele tanque.  



A fonte da Lata foi construída no ano de 1933. Antes desta construção o povo da aldeia deslocava-se a uma fonte funda onde havia uma nascente de água, essa fonte situava-se no Ribeiro da Lata na parte baixa da aldeia. Atualmente essa fonte ainda apresenta vestígios desses tempos mas transformou-se num poço.
A fonte atual da Lata localiza-se a caminho da parte mais alta e mais antiga do lugar. È um dos pontos mais bonitos da aldeia, a água é pura e de boa qualidade, por isso ainda muita gente lá vai buscar o seu garrafão que substituiu o antigo cântaro de barro que as mulheres traziam à cabeça, cheio de água sobre uma rodilha. A fonte já sofreu vários restauros desde a sua construção. É também um ponto de encontro dos aldeãos. Noutros tempos as mulheres da aldeia deslocavam-se para ir lavar a roupa à fonte, ao lavadouro da aldeia. Enquanto lavavam cantavam, contavam as suas novidades umas às outras, falavam da vida, da aldeia, entre muitos temas que ainda hoje lá são falados pelas mulheres mais velhas que ainda lá vão lavar. Com o aparecimento das máquinas de lavar o lavadouro deixou de ser tão frequentado mas apesar disso ainda há quem lá vá lavar as peças que lavadas à mão não se comparam com a roupa lavada na máquina. A fonte era também o encontro de muitos namorados, os rapazes deslocavam-se até lá para ver se topavam alguma lavadeira. Na rua da fonte havia sempre movimento e alegria, ainda hoje o há. A fonte está atualmente pintada de branco (representa a paz, o silêncio rural) e de amarelo (cor do Sol ). Ao centro da bica ergue-se um marco alto que termina em bico.
É um dos lugares mais bonitos da aldeia, um lugar de tradição viva, um local de orgulho para os aldeãos por ser uma das fontes mais bonitas da freguesia.   
        


                          Capela de Nossa Senhora da Saúde - Lata de Semide  

                                                        (Foto enviada por Alfredo Cravo)

quarta-feira, 4 de julho de 2012


                                        Coimbra                                
Cidade primorosa
Onde a mocidade é constante
Onde o fado é tradição
Cidade onde vive a saudade
As baladas e a paixão.

Cidade universitária
Onde os doutores são cantores
Onde os amores são história
Cidade dos estudantes
E dos monumentos de memória.

Cidade regada pelo Mondego
Marcada pela universidade
Pela sé velha e santa cruz.
Cidade da rainha santa que das esmolas fez rosas.

Cidade de Portugal
Que dele já foi capital,
Cidade onde o encanto é mais forte á despedida
Cidade deslumbrante e linda
Cidade de Coimbra.
Vasco Francisco  

Toda a freguesia de Semide está muito ligada à sua cidade, a cidade de Coimbra. A maior parte dos habitantes da freguesia exercem os seus trabalhos na cidade que tanto admiram. Antigamente as pessoas iam vender os produtos que criavam por estas terras a Coimbra.
As mulheres levantavam-se muito cedo e punham os pés ao caminho para ir vender às gentes da cidade os produtos que tiravam da terra. Percorriam muitos quilómetros a pé, de burra, (mais tarde os primeiros transportes públicos) atalhando pelos pinhais, e lá iam pregando os seus produtos. Eram famosos os grelos do Senhor da Serra. De canastra à cabeça as mulheres pregavam em voz alta esta hortaliça que era muito admirada na cidade dos estudantes. Vendiam-se também as rendas de Semide, as rendeiras vendiam os seus trabalhos às tricanas com mais poder económico.
Hoje celebra-se o dia da cidade de Coimbra e da sua padroeira. Muitas pessoas de Semide prestam um forte culto à Rainha Santa Isabel, durante estes dias são muitos os que se dirigem a Coimbra para viver estas festas da cidade especialmente as cerimónias religiosas.
        Semide está muito ligada a Coimbra, a cidade dos estudantes, do encanto e da saudade.