Matança do Porco
Nesta altura do ano, mais propriamente a partir do S.
Martinho, os habitantes de muitas aldeias de Portugal realizam um costume já
muito antigo e tradicional. A matança do porco. Os aldeãos matam o porco que
criaram ao longo de meses com cuidado e atenção. Estes animais são exemplos da
criação cuidada de animais caseiros. A carne é saborosa e de mais qualidade. A matança do
porco é quase uma festa para os aldeãos. Junta-se a família e os vizinhos num
trabalho recompensado. Antigamente um porco era o alimento de uma família por
muito tempo, nas povoações mais isoladas era um alimente muito rico. Quase tudo
se comia e aproveitava do porco. O costume vai desde a matança até à conservação
da carne (antigamente conservada nas salgadeiras e na confeção de enchidos). Um
dia antes da matança iniciavam-se os preparativos e convidavam-se os vizinhos e
a família e se não houvesse entre eles tinha-se de falar a um matador. De acordo com a sabedoria popular procurava-se
matar um porco nesta altura por causa do frio, para que a carne de torna-se
mais rija para a sua conservação. O matador era sempre o homem que tem o papel
mais importante, tem a função de matar e desmanchar o porco que era repartido
para todo o ano, sendo uma parte para salgar e outra parte para enchidos. A
matança do porco perlongava-se por vários dias, um dia para matar o animal e só
no outro dia se desmanchava. Com a ajuda dos convidados o porco era morto e era
aproveitado o sangue que na cozinha vem a originar um prato simples e saboroso “sangue
cozido” que é servido tradicionalmente em cima do porco já depois de
chamuscado. É servido num prato de barro forrado com carqueja. A matança de um
porco era uma cerimónia que por vezes tinha direito a música. Concertina e
viola e depois cantadores para cantar ao desafio. O almoço ou o jantar era
feito das partes do porco, sarrabulho, fêveras entre outras iguarias
acompanhadas pela broa e regadas pelo bom vinho. Depois da festa feita, à que
conservar a carne. A parte da carne que era salgada, era colocada numa grande
arca (salgadeira) para que fosse toda coberta de sal. Depois de salgada,
passados uns oito dias algumas partes do porco eram fumadas e recebiam a
respetiva cura. O produtos do fumeiro (chouriças, farinheiras, morcelas) davam
trabalho todo o inverno, eram secos ao fumo das lareiras, pendurados em varas
atravessadas na lareira. Alguns enchidos depois de fumados eram conservados em
azeite.
Este costume é sem dúvida um ato de convivência
entre os aldeãos. É um marco na etnografia da nossa região, sendo um costume
tradicional em todas as aldeias do nosso país. Esta altura é assim conhecida
pelo Verão de S. Martinho, e é por esta ocasião que se sucede este ritual.
“Pelo S. Martinho mata o teu porco e prova o teu
vinho.”
Texto de Vasco Francisco
Foto de Rui Pires

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