O Ciclo do Milho
Durante o ano agrícola existem pelo menos três
épocas de maior relevância e agitação para os agricultores: as vindimas, a
apanha da azeitona e as escamisadas ou desfolhadas do milho. É nesta última
época referida (desfolhadas do milho) que no situamos e já bem perto das
vendimas.
O milho é uma sementeira que desde à muito tempo é
cultivada na região. O aparecimento do milho causou uma revolução na
agricultura, aumentando as explorações agrícolas e o trabalho dos camponeses. O
cultivo do milho antigamente era feito todo da mesma forma, apenas a paisagem
devido ao seu aparecimento trousse diferenças, ou seja na nossa região construíram-se
apenas as eiras, mais a norte originaram eiras e espigueiros.
O milho é um cereal que requere muito trabalho desde
o seu lançamento à terra até ao moinho caso assim seja o seu destino. Na Lata
os mais velhos relatam que antigamente os bois dos particulares apenas saiam
três vezes por ano: lavoura, colheita do milho e nas vindimas. Contam que a
parte mais bonita do cultivo do cereal era as desfolhadas nas eiras à luz das
candeias e da lua onde a animação era até ao romper do dia. Algumas pessoas da Lata possuíam moinhos de
água que ainda hoje se podem ver infelizmente em ruínas em terras vizinhas, era
lá que o trigo, centeio e o milho (cereais cultivados em abundância na
localidade) eram moídos e transformados em farinha para fazer o maravilhoso pão
e a broa, cozidos no forno de lenha.
Antigamente o milho era cultivado de uma forma
diferente da atualidade. O cultivo era feito com a interação do homem com os
animais. Começa em Maio com o transporte do estrume produzido pelos animais para o campo. O campo
é estrumado, lavrado e gradado. Depois de pronto será semeado. Já depois do
campo lavrado com o arado o campo é gradado com a grade dos bois. Em Junho o
campo é mondado para que a sementeira cresça mais rápido, a partir daqui começa
a ser regado regularmente. Em finais de Agosto, inícios de Setembro o milho é
apanhado e transportado para a eira onde se faz a desfolhada. Na eira
realiza-se a desfolhada ao som das cantorias e dos músicos que faziam de palco
a carroça dos bois. Competiam entre si os convidados naquela noite jogando à
dúzia, o 1º que desfolha-se 12 espigas ganhava. Um dos costumes mais bonitos
desta tradição era o seguinte: o milho rei era a espiga vermelha, quem
desfolha-se essa espiga tinha de dar uma abraço a todas as pessoas presentes.
No fim da descamisada a festa continuava com uma merenda de enchidos, bolos,
vinho e outras iguarias ao som do clarinete, violas, concertinas e outros
instrumentos populares locais.
Depois o milho era posto a secar durante uns dias,
na eira (caso da nossa região) ou nos espigueiros (região do baixo e alto
Minho). Depois de seco é malhado com o malho numa batida certa e rítmica. Por
fim é peneirado e guardado em grandes arcas de madeira. Mais tarde é levado
para o moinho ou para as azenhas, ou então era dado aos animais como alimento.
A palha, o resto da planta, é seca e no inverno vai ser alimento para o gado.
Assim se completa o ciclo do milho de onde tudo é aproveitado.
Tudo o que aqui escrevi poderá ser visto através de
um filme que aqui deixo para que possa ver e desfrutar das nossas tradições e
costumes.
“Milho à Terra” foi um filme realizado com a
colaboração de um grupo de agricultores da freguesia de outeiro e acompanha
todo um ciclo de vida agrícola. Uma realização que mostra um costume rural que
se vai perdendo com o tempo. Uma produção “Ao Norte” – 2007.
Texto de Vasco Francisco

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