sábado, 8 de setembro de 2012


O Ciclo do Milho

Durante o ano agrícola existem pelo menos três épocas de maior relevância e agitação para os agricultores: as vindimas, a apanha da azeitona e as escamisadas ou desfolhadas do milho. É nesta última época referida (desfolhadas do milho) que no situamos e já bem perto das vendimas. 
O milho é uma sementeira que desde à muito tempo é cultivada na região. O aparecimento do milho causou uma revolução na agricultura, aumentando as explorações agrícolas e o trabalho dos camponeses. O cultivo do milho antigamente era feito todo da mesma forma, apenas a paisagem devido ao seu aparecimento trousse diferenças, ou seja na nossa região construíram-se apenas as eiras, mais a norte originaram eiras e espigueiros.

O milho é um cereal que requere muito trabalho desde o seu lançamento à terra até ao moinho caso assim seja o seu destino. Na Lata os mais velhos relatam que antigamente os bois dos particulares apenas saiam três vezes por ano: lavoura, colheita do milho e nas vindimas. Contam que a parte mais bonita do cultivo do cereal era as desfolhadas nas eiras à luz das candeias e da lua onde a animação era até ao romper do dia.  Algumas pessoas da Lata possuíam moinhos de água que ainda hoje se podem ver infelizmente em ruínas em terras vizinhas, era lá que o trigo, centeio e o milho (cereais cultivados em abundância na localidade) eram moídos e transformados em farinha para fazer o maravilhoso pão e a broa, cozidos no forno de lenha.
Antigamente o milho era cultivado de uma forma diferente da atualidade. O cultivo era feito com a interação do homem com os animais. Começa em Maio com o transporte do estrume  produzido pelos animais para o campo. O campo é estrumado, lavrado e gradado. Depois de pronto será semeado. Já depois do campo lavrado com o arado o campo é gradado com a grade dos bois. Em Junho o campo é mondado para que a sementeira cresça mais rápido, a partir daqui começa a ser regado regularmente. Em finais de Agosto, inícios de Setembro o milho é apanhado e transportado para a eira onde se faz a desfolhada. Na eira realiza-se a desfolhada ao som das cantorias e dos músicos que faziam de palco a carroça dos bois. Competiam entre si os convidados naquela noite jogando à dúzia, o 1º que desfolha-se 12 espigas ganhava. Um dos costumes mais bonitos desta tradição era o seguinte: o milho rei era a espiga vermelha, quem desfolha-se essa espiga tinha de dar uma abraço a todas as pessoas presentes. No fim da descamisada a festa continuava com uma merenda de enchidos, bolos, vinho e outras iguarias ao som do clarinete, violas, concertinas e outros instrumentos populares locais.

Depois o milho era posto a secar durante uns dias, na eira (caso da nossa região) ou nos espigueiros (região do baixo e alto Minho). Depois de seco é malhado com o malho numa batida certa e rítmica. Por fim é peneirado e guardado em grandes arcas de madeira. Mais tarde é levado para o moinho ou para as azenhas, ou então era dado aos animais como alimento. A palha, o resto da planta, é seca e no inverno vai ser alimento para o gado. Assim se completa o ciclo do milho de onde tudo é aproveitado.
Tudo o que aqui escrevi poderá ser visto através de um filme que aqui deixo para que possa ver e desfrutar das nossas tradições e costumes.

“Milho à Terra” foi um filme realizado com a colaboração de um grupo de agricultores da freguesia de outeiro e acompanha todo um ciclo de vida agrícola. Uma realização que mostra um costume rural que se vai perdendo com o tempo. Uma produção “Ao Norte” – 2007.      


Texto de Vasco Francisco 



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